Efésios 5:31 diz: "Deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e se unirá à sua mulher e se tornarão os dois uma só carne". Essa palavra foi dita pelo apóstolo Paulo, mas em Gênesis, Deus já havia declarado isso, quando surgiu o primeiro casal: Adão e Eva (Gn 2:24). Cada um deles era apenas uma "tábua de um côvado e meio" e juntos tornaram-se uma só carne, uma unidade de três côvados. Ao se unirem, estavam mais aptos para a função dada por Deus de cultivar e guardar o jardim.
Curiosamente, aos coríntios, Paulo disse que desejava que todos fossem como ele, que não se casassem; sendo casados, teriam de preocupar-se com a família, e isso seria um empecilho para servirem ao Senhor com dedicação (1Co. 7). Na verdade, Paulo não era contra o casamento, mas temia que os Coríntios deixassem de viver somente para Deus, tendo de preocupar-se também com as obrigações domésticas. Devemos lembrar que os irmãos daquela igreja foram desviados do propósito de Deus por várias distrações, como preferência por determinado irmão, uso dos dons espirituais nas reuniões, questionamentos sobre o ministério de Paulo, etc. Portanto, o casamento poderia ser mais um item usado por Satanás para afastá-los da pureza e singeleza devidas a Cristo (II Co 11:3).
A preocupação de Paulo era legítima, e devemos considerá-la com atenção. O casamento foi estabelecido pelo próprio Deus — portanto, devemos casar-nos; contudo, para que nosso casamento não desvie nosso coração de Deus, Ele mesmo deve ser o centro de nossa vida conjugal. Devemos casar, não apenas por causa de nossa necessidade pessoal, mas principalmente para atender a necessidade de Deus em Sua obra. Ao escolher nosso futuro cônjuge, que critérios usamos: beleza? cultura? posição social? saúde? Mesmo que esses itens pesem e devam ser considerados, o que realmente importa é escolher alguém que esteja disposto a cooperar conosco no serviço a Deus. Não podemos casar apenas para termos companhia, mas devemos almejar ter como cônjuge alguém que nos ajude espiritualmente indo às reuniões, lendo a Bíblia, orando, pregando o evangelho e divulgando a Palavra de Deus. Um casamento alicerçado nessa visão certamente cumpre o propósito de Deus.
Ao servirmos ao Senhor, devemos fazê-lo em unidade. Isso é um princípio divino para toda a igreja, e deve ser especialmente praticado pelos casais cristãos. Nada torna nosso serviço mais ineficaz e sem bênção do que a falta de unidade, quer seja entre os irmãos da igreja em uma cidade, quer seja entre o casal. Se houver necessidade de o marido ausentar-se de casa a fim de servir ao Senhor, se a esposa estiver em unidade com ele — tendo a mesma visão e o mesmo encargo — sentir-se-á feliz em poder cuidar da casa para que o marido possa sair tranqüilamente. Agindo dessa maneira, a esposa também estará servindo ao Senhor - o marido será um embaixador de Cristo, e ela, uma embaixatriz.
As irmãs não devem contentar-se apenas em ser "a esposa do embaixador", mas também elas devem almejar exercer essa função. Na Bíblia, não há presbíteras, mas há irmãos e irmãs servindo como diáconos e apóstolos. Se as irmãs desejam ser genuínas embaixadoras de Cristo, precisam ter um viver de íntima comunhão com Ele e um caráter adequado, elevado e aprovado pelo sofrimento. Além disso, é necessário manterem a posição de submissão ao marido. Mesmo que uma mulher seja mais madura espiritualmente que o marido, ainda assim ela é apenas auxiliadora dele. A esposa nunca deve encabeçar nada, antes, deve em tudo cooperar com o marido, a fim de que ele também exerça desimpedidamente sua função de embaixador.
Áqüila e Priscila
A Bíblia cita um casal no qual a esposa, talvez, fosse espiritualmente mais madura que seu marido: Áqüila e Priscila. Na Bíblia, geralmente o nome do marido é mencionado antes do da mulher, mas em três passagens, Priscila é citada antes do marido (At 18:18, 26; 2 Tm 4:19). Em outras três passagens, Áqüila é mencionado primeiro (At 18:2; 1 Co 16:19).
Paulo tinha esse casal em alta consideração, pelo amor que tinham ao Senhor, à Sua economia e pelo cuidado que tinham pelo apóstolo, reconhecendo, também, a experiência espiritual de Priscila. Ela, embora fosse, por vezes, mencionada primeiro que seu marido, certamente respeitava-o e a ele se submetia, pois, do contrário, teriam recebido uma palavra de correção do apóstolo. Em nenhuma passagem Priscila ou Áqüila são citados sozinhos, mas a referência é sempre o casal. Isso denota sua unidade e a submissão da esposa ao marido.
Esta é uma importante lição que as mulheres cristãs precisam aprender: mesmo que tenham mais capacidade humana ou espiritual que seu marido, ainda assim ele é o cabeça, e ela sua auxiliadora. Se as irmãs não se posicionarem dessa maneira, não haverá bênção do Senhor para seu casamento nem para seu serviço a Ele.
Quando foi a Corinto, Paulo conheceu Áqüila e Priscila. Ele permaneceu certo tempo junto com esse casal, fazendo tendas (At 18:2-3). Apesar de ser um apóstolo e de ter consagrado todo o seu tempo para servir ao Senhor, Paulo teve de trabalhar, pois a igreja em Corinto não estava suprindo suas necessidades nem as daqueles que com ele estavam. Enquanto trabalhavam, Paulo, Áqüila e Priscila com certeza não conversavam sobre coisas mundanas. Nessa ocasião, Paulo deve ter-lhes transmitido sua visão e experiência de Cristo. No tempo em que estiveram juntos, esse casal foi fortalecido em sua fé pela comunhão com Paulo. Por isso, quando Paulo saiu de Corinto a caminho de éfeso, levou consigo o casal e os deixou lá, pois a igreja precisava de ajuda (vs. 18-19).
Quando estavam em éfeso, Áqüila e Priscila conheceram um homem muito eloqüente chamado Apolo. Ouvindo a pregação dele, o casal percebeu que, apesar da eloqüencia, da boa apresentação das doutrinas, Apolo não tinha muita clareza sobre a economia de Deus, sobre as verdades mais importantes sobre Deus, Cristo e o Espírito Santo e sobre a igreja. Por isso, eles o chamaram e lhe transmitiram tudo o que tinham recebido de Paulo. Sem dúvida, a palavra desse casal mudou a visão espiritual de Apolo.
Áqüila e Priscila estavam tão intimamente ligados a Paulo a ponto de arriscara própria vida pelo apóstolo. Em Romanos 16:3 Paulo diz que os considerava como seus cooperadores. Ser um cooperador implica não somente estar junto, mas ter a mesma visão, a mesma mente, o mesmo espírito, o mesmo desejo ardente pela obra de Deus. Pessoas assim podem ser cooperadoras de Deus, e um casal assim é um verdadeiro casal de embaixadores de Deus.
O versículo 5 diz que a igreja em Roma se reunia na casa de Priscila e Áqüila. (Isso não significa que havia uma "igreja" na casa deles, e, sim, que a igreja que estava em Roma se reunia ali). Cada casal cristão deve almejar ser como eles, entregando-se para servir ao Senhor, partilhando ambos de uma mesma visão espiritual. Mesmo que haja dificuldades e limitações para que os cônjuges sirvam juntos ao Senhor, como questões financeiras ou os filhos, ambos devem orar por isso, buscando a sabedoria do Senhor e um caminho para que possam praticar Sua palavra juntos.
Conclusão
Não podemos esquecer que servir o Senhor não é apenas fazer coisas para Ele. Não podemos esquecer que o aspecto mais importante de nosso serviço é estamos em comunhão com o Senhor, diante Dele, no Santo dos Santos, alimentando-nos de Sua Palavra. Por isso, se os cônjuges não puderem sair juntos para pregar o evangelho ou para apascentar um irmão novo, por exemplo, podem determinar um horário para ler a Bíblia juntos, orar juntos, ler juntos um livro espiritual ou ouvir mensagens bíblicas sobre a economia de Deus. Às esposas cabe uma responsabilidade especial: ser genuína cooperadora do marido. Precisamos praticar o que temos visto na Palavra de Deus. Moisés edificou o tabernáculo segundo o modelo que lhe foi mostrado no monte; do mesmo modo, temos visto no tabernáculo tanto detalhes sobre nossa vida cristã e precisamos, agora, edificar a igreja de Deus de acordo com Sua revelação.